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sexta-feira, 24 de agosto de 2001

Eliseu Padilha autoriza licitação para dragagem da Lagoa Mirim (RS)

Eliseu Padilha autoriza licitação para dragagem da Lagoa Mirim
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, autoriza hoje (24/08/2001), às 16 horas, na Administração do Porto de Porto Alegre, o início do processo de licitação para a dragagem da Lagoa Mirim (RS). 

Esta será a segunda etapa (e última) da dragagem do Canal do Sangradouro na Lagoa Mirim. As obras começam nos próximos meses, e representam a implantação de um corredor multimodal (ferrovia, hidrovia e rodovia) ligando São Paulo a Montevidéu (Uruguai). 

A dragagem vai permitir a ligação lacustre entre os portos de Pelotas e de Santa Vitória do Palmar - última ligação que faltava para que uma carga pudesse fazer o trajeto do centro econômico do país (SP) até a capital uruguaia, com custos inferiores aos do transporte exclusivamente rodoviário. 

O Corredor Multimodal (SP/Montevidéu) é composto por um segmento ferroviário de 1.100 Km de São Paulo até Estrela; um segmento hidroviário de 650 Km do Porto de Estrela até o Porto de Santa Vitória do Palmar e um segmento rodoviário de Santa Vitória até Montevidéu, no Uruguai. A dragagem de mais 1 metro de profundidade será feita ao longo de 15 quilômetros partindo da extremidade norte em direção ao centro da lagoa. O investimento de R$ 2 milhões com prazo de 4 meses para execução. 

O Departamento de Hidrovias Interiores do Ministério dos Transportes realizou, em abril/2001, a primeira etapa da dragagem do Canal do Sangradouro - extremidade norte da Lagoa Mirim. O objetivo da obra era eliminar o ponto crítico que dificultava a navegação no local, próximo ao Canal de São Gonçalo que liga a Lagoa Mirim à Lagoa dos Patos, formando um dos principais pontos da Hidrovia do Mercosul. 

Devido à ocorrência de águas baixas e, muitas vezes, pela forte ação do vento na região o acesso à lagoa ficava impedido, até mesmo para embarcações de pequeno porte. Na primeira etapa foi feita a dragagem de 250 mil m³ de material arenoso, numa extensão de 6 km com largura média de 40 metros. Foram investidos R$ 350 mil para garantir uma profundidade mínima no canal de 2,3 metros que se verifica em aproximadamente 95% do tempo ao longo do ano (essa profundidade pode variar de acordo com o volume de água determinado pela incidência de chuvas). 

Concluídas estas duas etapas, restarão a reimplantação da sinalização em toda a extensão da Lagoa Mirim e o aprofundamento do Canal do Sangradouro em mais um metro, quando se obterá uma profundidade de 3,3 metros. Mas para isso ainda serão necessários investimentos de R$ 1 milhão que poderão ser incluídos no orçamento de 2002. 

Com a reativação da Lagoa Mirim através da ligação com a Lagoa dos Patos surgem também três novas alternativas de rota no transporte aquaviário da Região Sul: 

1) Lagoa Mirim / Rio Jaguarão - às margens do Rio Jaguarão já existe uma pequena estrutura (trapiche) e por ali poderia ser escoado o arroz vindo do Uruguai. 

2) Lagoa Mirim / Rio Cebollati (Uruguai) - já existe um projeto do Governo Uruguaio para a construção de um terminal neste rio que tem ligação com a Lagoa. 

3)Lagoa Mirim / Santa Vitória do Palmar - em Santa Vitória já existe uma pequena estrutura (trapiche) onde está sendo feita a desobstrução em aproximadamente 1 km para o funcionamento. 

Com isso, será possível embarcar arroz de Santa Vitória e do Uruguai. Essa carga poderá ser levada até Pelotas, Rio Grande e/ou diretamente ao Porto de Estrela. Histórico Esta ligação já foi muito utilizada nas décadas de 50 e 60 quando não existia a ligação rodoviária entre Chuí, Santa Vitória do Palmar e Pelotas. 

Naquela época, a ligação do Sul do Estado com o Uruguai era feita apenas pela Lagoa Mirim. Com a construção da BR-471, e até hoje, o transporte pela Lagoa foi abandonado. Mas esta realidade já está sendo transformada. - Extensão: 190 km - Calado: de 2,5 a 3 metros - Características: apresenta uma das margens em território uruguaio, por isso, a Lagoa Mirim é uma atribuição do Governo Federal. 

Assessoria de Comunicação Social 
Ministério dos Transportes 
Fonte: Ascom/MT

sábado, 1 de julho de 2000

Ministro Eliseu Padilha - A Revolução Multimodal

Ministro Padilha
Ministro dos Transportes Eliseu Padilha
Nos últimos seis anos, a economia do Brasil cresceu acompanhada por uma revolução no sistema de transportes. A navegação de cabotagem ressurgiu e cresceu mais de 400%. O mesmo ocorreu com o transporte hidroviário, especialmente de grãos e de carne. 

Um exemplo: a soja que descia do Chapadão dos Parecis (MT) por rodovia até Santos (SP), hoje vai a Porto Velho e é exportada através da hidrovia do Madeira, com uma redução no frete de US$ 38,50 por tonelada. Já o sistema ferroviário, que estava literalmente sucateado, foi transferido para o setor privado, cresceu em média 13% ao ano e atraiu R$ 2 bilhões em investimentos. A maioria dos portos já trabalha com preços competitivos em nível internacional, como Rio de Janeiro e Salvador, que operam um contêiner a menos de US$ 130.

A matriz transportes passa por uma revolução fundada na multimodalidade, na modernização e na viabilidade de uma cadeia logística altamente competitiva. O Programa Avança Brasil contempla nove eixos regionais de integração que, na verdade, são corredores de transporte onde a multimodalidade está consagrada. Os investimentos para a integração entre os vários modais estão e continuarão sendo feitos.

Mas, há muito o que trabalhar. Considerando a dimensão continental do Brasil, a malha rodoviária pavimentada ainda é pequena, não corresponde à necessidade. No Norte e Centro-Oeste, há muitas rodovias ainda não implantadas ou não pavimentadas. Se a malha rodoviária ainda é deficitária, a ferroviária é muito mais. Considerando o tamanho e as condições geográficas, o Brasil poderia ter uma malha viária muito maior, seguramente o triplo do que é.

Seria conveniente. Porém, requer investimentos de grande vulto, muitos bilhões de dólares, que não poderiam ser feitos de uma hora para outra. Agora estamos buscando a parceria do setor privado no sistema ferroviário e estamos tendo construções, como é o caso da Ferronorte, que estará chegando em Rondonópolis (MT) no ano 2001, com conexão direta ao Porto de Santos e isso significa que as lavouras do Centro-Oeste estarão linkadas pelo sistema ferroviário com o Porto e com a exportação.

E o Governo Federal, através da Valec, está construindo a Norte-Sul, uma ferrovia que, brevemente, deverá ser privatizada e terá alta atratividade, considerando seu trajeto e a região onde está sendo implantada.  A Norte-Sul está quase pronta no Maranhão, está descendo pelo Tocantins e, em breve, vai abrir uma frente de trabalho em Goiás. Há ainda a construção da Tranordestina, que se interligará com a Hidrovia do São Francisco, com o Porto de Suape (PE) e tornará viável a malha ferroviária do Nordeste.

Assim, se considerarmos as circunstâncias do País, temos uma malha ainda deficitária, mas o certo é que está havendo a integração, a multimodalidade é uma realidade e essas deficiências que encontramos poderão ser supridas na medida em que tenhamos maior participação do setor privado. O setor público vai continuar no sistema rodoviário, nas malhas de expansão, onde o interesse estratégico da Nação é maior, caso do Norte, Centro-Oeste e parte do Nordeste do País.

Especificamente para as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste, o Governo Federal tomou a decisão de não conceder rodovia mediante tarifa de pedágio. Nestas regiões não haverá concessão de rodovia federal pelo Governo Federal. As exceções são: o programa do Governo do Estado da Bahia envolve também uma rodovia federal entre Salvador e Feira de Santana; em Pernambuco também um programa estadual envolve rodovia federal entre Recife e Caruarú; e no Pará a rodovia Belém-Castanhal também está no programa do Governo do Estado.

Por parte do Governo Federal, só serão concedidas rodovias ao setor privado para fazer a conservação, o chamado Programa Crema, mas não haverá cobrança de pedágio. Para receber pelos serviços de manutenção de pistas e sinalização, as empresas deverão manter as rodovias com a mesma qualidade das rodovias pedagiadas.

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