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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Eliseu Padilha: “o Porto de Rio Grande está sendo preparado para ser o Porto do Mercosul”

Ministro Padilha
No dia 7 de junho, às 9h15min, o ministro dos Transportes Eliseu Padilha concedeu esta entrevista, por telefone, à Rádio Cerro Azul AM e Rádio Shamballa FM. Pela importância dos temas comentados, publicamos a entrevista nesta edição. A seguir o teor da entrevista: 

JOÃO PIO FLACH – Antes de mais nada. Sr. Ministro, eu quero agradecer a gentileza de Vossa Excelência de nos conceder essa entrevista para a Rádio Serro Azul e Rádio Shamballa, de Cerro Largo. Vamos falar, antes das estradas de rodagem, o que Sua Excelência Sr. Ministro poderia nos falar a respeito de um outro meio de transporte, digamos a remodelação do Porto de Rio Grande desde os seus molhes. São 4Km de molhes de cada lado, as melhorias do porto em si, quais os navios, depois desta reforma, poderão atracar no porto de Rio Grande, navios de alto calado e assim por diante e se Vossa Excelência tem esperança que também o número de empregos seja aumentado assim. O que Vossa Excelência tem a nos dizer? 

ELISEU PADILHA – É com alegria que eu estou falando para a região. Que região? A região que recebe uma das obras importantíssimas no estado, que é a construção da BR-392, estrada que está concluída chegando as barrancas do rio Uruguai, saindo desde o porto de Rio Grande, talvez por isso a pregunta do Dr. Pio. Mas duas palavras com relação BR-392: uma estrada que corta o estado no sentido perpendicular ao mar, sai do porto de Rio Grande e chega até Porto Xavier e com isso nós temos a ligação do porto que é a saída para o mundo, com a ligação com a Argentina, que é a nossa saída com o Mercosul, numa das principais saídas com o Mercosul, onde nós temos o comércio altamente intensificado e agora com estrada pavimentada a tendência é aumentar o comércio. Uma obra que consumiu R$ 26 milhões, 56.2Km, 300 empregos diretos na região, durante 30 meses. Uma obra que beneficia toda a região, eu colocaria toda a região das missões, mas beneficia o Rio Grande do Sul por esta relação que estabelece. 

Com relação, objetivamente ao porto de Rio Grande, convido os ouvintes a passar neste trecho entre Cerro Largo e Porto Xavier, para ver a manobra que se fez, como é que se gastou estes R$ 26 milhões, por parte do governo federal. Mas no porto de Rio Grande o presidente Fernando Henrique resolveu refazer o Porto de Rio Grande, nós investimos lá em 97, 98 e 99 R$ 150 milhões. Recuperamos os molhes do porto. O que são os molhes? São aquelas montanhas de pedra que se estabelece como uma linha e protege a entrada do navio contra as ondas e também garante uma profundidade de navegação, o chamado calado, ou então, profundidade no canal de navegação; haviam 14 rupturas nesses molhes, no molhe leste, aquele que recebe o primeiro impacto da onda, e já estava comprometendo a navegação do porto. 1995 e 96 aí começaram as obras, em 97 intensificamos, em 98 praticamente concluiu, começo de 99 concluiu, R$ 150 milhões para molhes novos. Esses molhes foram construídos entre 1910, 1917, eles ficaram, portanto, 80 anos sofrendo impactos do mar, sem obras novas. Mas não contente com isso levei ao presidente a sugestão de converter o Porto de Rio Grande ao Porto do Mercosul, o que precisaria, aprofundar o canal, ou seja, maior profundidade. Hoje nós temos lá cerca de 14 metros no canal, lá no porto 12, 13, 14, o que nós queremos, a proposta que levei e o presidente topou, converter o Porto de Rio Grande no Porto do Mercosul em razão do calado, 60 pés de profundidade, 18 metros isso é o que tem de mais profundo como necessidade de navegação no mundo, não precisa mais de 18 metros para os maiores navios que hoje nós temos no mundo, especialmente para os transportadores de minérios. 

O presidente topou, incluímos no Programa Avança Brasil, é esse o programa prioritário de obras. Lançamos a licitação e estamos prestes a iniciar a obra agora, de lançar o edital de obra agora, e vamos por isso converter o Porto do Mercosul, porque, vai ter 18 metro de profundidade no canal. Lá em Buenos Aires, que é nosso competidor, tem 10 metros de profundidade no canal, 33 pés ou 10 metros de profundidade no canal, de 10 para 18 nós temos quase o dobro. Efeito disso, já esteve aqui comigo o presidente de uma companhia de navegação de transporte internacional, hoje sediada em Buenos Aires e que transporta minérios no Rio Paraguai e no Rio da Prata, na Bacia do Prata. Ele transporta com barcaças até Buenos Aires e de lá sai com pequenos navios. 

Fonte: Folha da Produção / Cerro Largo-RS 22/06/2000 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Metade Sul de volta à prosperidade. Artigo - Jornal do Comércio de abril de 2011


Metade Sul de volta à prosperidade

Eliseu Padilha
Deputado Federal e Presidente Nacional
da Fundação Ulysses Guimarães


Eliseu Padilha  Deputado Federal e Presidente Nacional  da Fundação Ulysses Guimarães
Ministro Eliseu Padilha - janeiro de 2000
Parece que foi ontem, mas já transcorreram mais de doze anos desde o dia em que, ao celebrarmos a restauração dos antigos molhes do porto do Rio Grande, que estavam sem manutenção desde sua construção na década de 1910, no século passado, na companhia do então prefeito municipal de Rio Grande, Wilson Mattos Branco, eu, como ministro dos transportes afirmei: a Metade Sul, fruto da conversão do porto do Rio Grande, vai volta à posição que desfrutou na época das charqueadas. Será, novamente, a metade mais rica do Rio Grande do Sul. Muitos dos que prestigiavam dita solenidade olharam-me com ar de desconfiança, pois a volta dos molhes à forma física que tinham em 1917 não teria, de per si, condições de amparar minha afirmação. Ocorre que eu sabia do que estava falando e minha afirmação estava alicerçada na convicção que firmara a partir do plano que havia conseguido aprovar, junto ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que acabara de ser incluído no Programa Avança Brasil, cujas premissas mais importantes, para o caso, foram:
       
1ª - Conversão do porto do Rio Grande no porto do Mercosul:
   
A posição de maior porto do Mercosul, à época, era desfrutada por Buenos Aires, que não tem um porto marítimo mas sim fluvial, no interior do Rio de Prata. Para arrebatar tal título decidimos fazer de Rio Grande um UbPort, porto de concentração e de redistribuição de cargas, para todo o Mercosul. Para tal conversão teríamos que dotar o porto do Rio Grande do calado então exigido para a categoria: 60 pés, ou 18 metros, de profundidade no Canal de Acesso.
   
Lançamos o Programa Avança Brasil e iniciamos as obras concluídas em outubro de 2010:

a) Extensão dos molhes - O molhe leste estendido para 4.200 metros e o molhe oeste estendido para 3.600 metros,
b) Dragagem do Canal de Acesso, para garantir o calado de 18 metros.
       
2ª - Ligação rodoviária, em pista dupla do porto do Rio Grande a Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro:
   
No Programa Avança Brasil estava prevista a Rodovia do Mercosul, ligando Porto Alegre a Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro. Para converter o porto do Rio Grande em Porto do Mercosul seria importante que ele estivesse ligado, em pista dupla a Porto Alegre, o que equivaleria às duas capitais mencionadas. Sugeri e foi mudada a extremidade sul da Rodovia do Mercosul que passou a ser: a) em Jaguarão, na divisa com o Uruguai, com adequação da BR-116 entre Jaguarão e Pelotas e duplicação de Pelotas até Porto Alegre e  b) em Uruguaiana, na divisa com a Argentina, com adequação da BR-290 entre Uruguaiana e Pantano Grande e duplicação de Pantano Grande até Porto Alegre.
   
Para concluir a duplicação rodoviária do porto de Rio Grande a Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro faltaria ainda a duplicação de Pelotas a Rio Grande, o que foi resolvido com a inclusão no Avança Brasil, também, da duplicação da BR-292, de Rio Grande a Pelotas.
       
3ª - Ligação rodoviária do porto de Rio Grande a BR-101:
   
Este foi um tema que tratei com redobrada alegria: decidi pavimentar a BR-101 até São José do Norte. Com esta obra seriam resolvidos dois problemas: acabar com a Estrada do Inferno e ligar o porto do Rio Grande diretamente à BR-101, sem passar pelo trânsito urbano de Porto Alegre.
   
Hoje num balanço rápido, fruto deste Plano de Conversão do porto de Rio Grande, com reflexo em toda a Metade Sul do Estado, já registramos:
   
1º - O porto do Rio Grande está com as obras de convenção concluídas, funciona como UbPort, pode receber os maiores navios do mundo e expandiu a construção naval, caminhando, a passos rápidos para o proposto lugar de porto do Mercosul;
   
2º - Porto do Rio Grande a Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro em pista dupla é uma realidade em acelerada finalização. Ainda estão em obras a BR-292, de Rio Grande a Pelotas, e a BR-101, de Torres/RS a Palhoça, e falta, somente, iniciar a obra de duplicação da BR-116, entre Porto Alegre e Pelotas;
   
3º - A ligação rodoviária do porto do Rio Grande, via São José do Norte, diretamente à BR-101 também está concluída.
   
A Metade Sul já vive novos tempos. A indústria naval, a construção civil, a multiplicação da demanda por serviços, os mais generalizados, a falta de habitação e de lazer e a projeção de que o Rio Grande chegará a 500.000 habitantes em poucos anos já promovem uma verdadeira revolução econômica na região. Bilhões e mais bilhões de reais inundam a economia regional. A transformação já começou. A Metade Sul do Estado já está bem mais rica e em breve tempo sua gente poderá dizer que, proporcionalmente, é a mais rica do Estado, que voltou a ser o que foi no tempo das Charqueadas.
   
Trata-se de um projeto de largo tempo, mas que está seguindo rumo a sua conclusão e os expressivos frutos já estão sendo colhidos.


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