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| Ministro Eliseu Padilha |
A primeira e mais difícil empreitada política de Eliseu Padilha, que ontem deixou
o Ministério dos Transportes, será definir segunda-feira com o governador Itamar
Franco as regras para a prévia que, em janeiro, definirá quem vai disputar a sucessão
de FH em 2002 pelo PMDB.
Os candidatos serão o senador Pedro Simon e Itamar
Franco. Ontem foi confirmado, tanto pelo presidente do Senado, Ramez Tebet, quanto
pelo senador Pedro Simon, que o deputado Michel Temer, presidente do partido, não
participará da prévia. Na cerimônia de transmissão de cargo, no Ministério dos
Transportes, Simon e Temer conversaram muito.
O próprio Eliseu Padilha, alto e
bom som, para uma platéia que incluía os senadores Renan Calheiros, Sérgio
Machado e os deputados Geddel Vieira Lima, Cezar Schirmer e Osmar Terra, tratou de
ratificar seu apoio na prévia à candidatura Pedro Simon.
O crescimento da candidatura Roseana Sarney e a intensificação das
negociações entre PFL e PSDB forçam o PMDB na direção da candidatura própria,
enquanto o quadro sucessório não clareia.
O interesse do partido é submeter o
imprevisível Itamar Franco às regras da prévia, que incluirá o compromisso com o
apoio à candidatura vitoriosa. O governador mineiro andou declarando que se
perdesse a prévia apoiaria Lula. Ontem, assessores de Itamar Franco trataram de
dizer que essa versão não corresponde à realidade. Pelo sim, pelo não, é melhor
definir as regras desse jogo.
Eliseu Padilha, no rápido discurso de transmissão do cargo ao sucessor, o
secretário executivo Alderico Jefferson Lima, deu testemunho explícito da lealdade a
Fernando Henrique Cardoso e, apesar das podas ocorridas nos investimentos
previstos para a pasta, não atacou a equipe econômica como fizeram vários ex e
atuais ministros.
"Quando a Fazenda ou o Planejamento fazem cortes, e foram muitos, foi em
nome da prioridade social do governo", justificou Padilha, lembrando que a merenda
escolar ou o atendimento de saúde não podem ser postergados, em qualquer
hipótese.
Eliseu Padilha é exceção à regra. Deixou o governo sem ataques ou
ressentimentos. Dorothea Werneck, Francisco Turra, Arlindo Porto, Luis Carlos
Mendonça de Barros, Carlos Albuquerque, Renan Calheiros, Raymundo Britto e
Waldeck Ornellas foram a regra no governo FH.
Fonte: Zero Hora - Ana Amélia Lemos - 15/11/2001

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