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sábado, 17 de maio de 1997

A ascensão meteórica do ex-prefeito

Fernando Henrique Cardoso e Eliseu Padilha
Eleito deputado federal em 1994, Eliseu Lemos Padilha, 51 anos, chegou à Câmara depois de ter sido prefeito de Tramandaí entre 1989 e 1992. O aval de 45.223 votos em 286 municípios do Estado garantiu a Padilha a sexta posição entre os oito parlamentares que o PMDB do Rio Grande do Sul levou para Brasília.

Empresário da construção civil e ex-presidente da Federação das Associações de Municípios do Estado (Famurs), Padilha é casado e tem cinco filhos: Cristiane, 20 anos, Aline 25, Robinson, 23, Taoana, 8, e Tales, 4.

Com participação decisiva na campanha que elegeu o Governador Antônio Britto em 1994, o aproveitamento de Padilha no governo estadual era mais do que natural. Ele nem teve tempo de exercer seu mandato na Câmara, recebendo de Britto o cargo de secretário do Trabalho, Ação Social e Cidadania. A ideia inicial era permanecer um ano na equipe de Britto, mas 10 anos depois da posse Padilha deixou o cargo e assumiu sua cadeira na Câmara dos Deputados.

Em Brasília, a ascensão foi meteórica. Eleito vice-líder do PMDB, Padilha entrou para o alto círculo governista e ocupou o espaço deixado pelo deputado Germano Rigotto (RS), que saiu da liderança do governo para disputar a prefeitura de Caxias do Sul. Apelidado de "The Flash" pelos companheiros por sua agilidade nas articulações políticas, o deputado gaúcho teve um papel de destaque no acompanhamento dos votos pró-reeleição. Com sua dedicação e fidelidade ao governo, Padilha conquistou definitivamente a confiança do deputado Michel Temer (SP), então líder do PMDB, e trilhou seu caminho para a Esplanada dos Ministérios.

Formado em Direito pela Unisinos, Padilha foi sócio do ministro Nélson Jobim, do Supremo Tribunal Federal, num escritório de advocacia em Brasília. Eclético, o deputado traz um currículo com alguns detalhes curiosos: seu primeiro emprego foi o de afinador de acordeom, em Canela, onde morou e chegou a atuar como ator de teatro. O destino abortou a carreira dramática do promissor artista. O escritório de contabilidade em que trabalhava foi transferido para Tramandaí. À beira-mar, começava a construção da carreira política de Eliseu Padilha.

Fonte: Zero Hora de 17 de maio de 1997

quarta-feira, 9 de abril de 1997

Eliseu Padilha se credencia a assumir Transportes

Eliseu Padilha
Com o apoio do governador Antônio Britto, do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer e do líder do PMDB, Gedel Vieira Lima, o deputado Eliseu Padilha (PMDB/RS) está credenciado para ser o novo ministro dos Transportes substituindo o gaúcho Alcides Saldanha. 

Padilha disse ontem que se sente honrado com a lembrança de seu nome, inclusive por ministros e a maioria da bancada peemedebista, na disputa com os outros seis deputados que formam a bancada gaúcha do PMDB.

"Ninguém será ministro sem apoio do governador do Estado", salientou Eliseu Padilha. Mesmo revelando que os sete deputados do PMDB querem o Ministério dos Transportes, ele admite que é o preferido de Antônio Britto. "O governador Antônio Britto tem crédito junto ao governo federal e ser lembrado por ele já é meio caminho andado", afirmou Padilha, que já foi secretário do Trabalho, Cidadania eAssistência Social no governo Britto e agora cumpre seu primeiro mandato como deputado federal, sendo o 1° vice-líder do PMDB na Câmara.

Eliseu Padilha leva vantagem nessa disputa. Primeiro porque o governador Antônio Britto já manifestou que não abre mão do Ministério dos Transportes, exigindo que fique com um gaúcho, sendo pública sua preferência por Padilha. Depois, o próprio Michel Temer, aliado de Fernando Henrique Cardoso,  também sustenta que o ministro deve sair da Câmara dos Deputados, e aposta em Padilha.

Dia decisivo

O deputado Eliseu Padilha tem hoje um dia decisivo, com a presença do governador do Estado em Brasília. Além de acompanhar a votação da reforma administrativa, Antônio Britto se reúne no início da tarde com a bancada gaúcha do PMDB e também foi chamado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, para conversarem sobre o ministério.

Padilha fala que há muita especulação alertando que a decisão será do presidente da República. No entanto, espera para as próximas horas uma confirmação de seu nome pelo presidente Fernando Henrique.

O presidente tinha descartado fazer qualquer mudança ministerial antes da votação da reforma administrativa. Saindo a reforma, FHC deve anunciar em seguida o sucessor de Alcides Saldanha.

Com tranqüilidade, Eliseu Padilha se manifestou sobre as recentes declarações do atual ministro dos Transportes afirmando seu desejo de continuar no cargo. "Alcides Saldanha é um homem sério, digno e competente. Considero justa sua pretensão de continuar no ministério".

Diante da pressão que existe também por parte de outras bancadas, Padilha analisa que neste momento o mais importante é garantir que o ministério permaneça com o PMDB do Rio Grande do Sul. Chega a dizer, ainda, que qualquer um dos sete deputados gaúchos do PMDB tem competência para administrar o importante ministério.

Padilha admite que, pelo seu favoritismo, passou a ser bajulado no Congresso Nacional. Muitos políticos o procuram, como se já fosse ministro. Mas adverte: "Eu notei uma mudança, mas nem quero comentar porque esse tipo de coisa não contribui nesta hora". 

Fonte: Jornal do Comércio de 09/04/1997

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terça-feira, 18 de fevereiro de 1997

Reeleição: Padilha anuncia caça aos votos dos senadores

Deputado Federal Eliseu Padilha
Líderes do PMDB começaram a contatar deputados para a aprovação da emenda, em segundo turno, na próxima semana

Câmara já iniciou as articulações para a votação do segundo turno da emenda da reeleição. A bancada do PMDB esteve reunida ontem à tarde na residência do presidente da Câmara, Michel Temer (SP), discutindo o trabalho que será realizado a partir de agora na caça aos votos para a aprovação da emenda. 


As lideranças começaram a investir no corpo-a-corpo, buscando os votos das bancadas do Congresso. O vice-líder do PMDB na Câmara, deputado Eliseu Padilha (RS), passou o resto do dia de ontem contatando senadores. "A bancada de Goiás já garantiu seu apoio. Agora, vamos partir para as outras", assegurou Padilha. 

Os líderes pretendem que a emenda seja votada, no máximo, até a quarta-feira da semana que vem, e esperam até lá já ter obtido os números suficientes para a aprovação. 

O vice-líder peemedebista ressaltou o trabalho excelente desenvolvido pela bancada do Rio Grande do Sul nas questões mais importantes do governo, principalmente na votação da reeleição. 

Por este motivo, o parlamentar acredita que os Ministérios da Justiça e Transportes, atualmente ocupados pelos gaúchos Nelson Jobim e Alcides Saldanha, ambos do PMDB, deverão permanecer no Estado. "Não vejo a necessidade de uma transferência imediata. Tanto o Jobim, que ainda pode mudar de ideia e ficar no ministério, quanto o Alcides Saldanha, possuem todas as qualificações e legitimidade para ficarem onde estão", analisou Padilha. Segundo ele, os dois ministros estão realizando trabalhos impecáveis e consolidaram suas posições dentro dos cargos que ocupam. 

Quanto à possibilidade de seu nome estar disputando um lugar nos ministérios, Eliseu Padilha deixa claro que não há nenhuma articulação a esse respeito. "Me sinto lisonjeado em o governador Antônio Britto citar meu nome como ministeriável, mas acredito que a questão dos nomes é secundária neste caso", frisou o deputado, lembrando que a escolha dos nomes passa primeiro pela escolha pessoal do presidente Fernando Henrique Cardoso e, depois, por uma articulação da bancada e dos governadores. 

Para o deputado, qualquer nome do Estado será bem aceito para ocupar os cargos, pois entende que a bancada gaúcha está "recheada de bons nomes". Como exemplo, cita Odacir Klein, Germano Rigotto e o secretário de Estado Nelson Proença. Ele faz questão de ressaltar, no entanto, que o mais importante é que o Rio Grande do Sul possa permanecer em  posições estratégicas no governo federal, para continuar buscando melhorias para o Estado. "Pretensão de entrar num ministério, todos têm. Mas não adianta ficar antecipando as coisas nem cogitando nomes. Até porque não somos nós quem decidimos." 

O deputado disse ainda que a proposta de acabar com o segundo turno das eleições para governadores e prefeitos ainda está "muito verde para ser analisada". Ele entende que é preciso uma discussão mais aprofundada sobre o assunto, para depois colocá-lo em votação. Apesar de ainda não ter uma posição firmada a esse respeito, Eliseu Padilha pensa que não se pode mudar a Constituição sem antes verificar o que pensa opinião pública. "Hoje, sou a favor de manter tudo como está. Na medida em que o debate evoluir, talvez possa mudar de opinião." 


Fonte: Jornal do Comércio de 18/02/1997

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