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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Guerra ou paz no trânsito?

Guerra ou paz no trânsito?
Ex-ministro dos Transportes Eliseu Padilha
Há uma comoção nacional em face do número de vítlmas originadas pelo nosso enlouquecido trânsito: mais de 35 mil mortos no ano passado  e mais de R$ 30 bilhões gastos no atendimento dos acidentados no mesmo período. Sem dúvida, são cifras apavorantes.

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou em 2007 dezenas de leis, na busca de acabar com a guerra não-declarada que vigora em nossas ruas e estradas.

O governo federal, recentemente, anunciou que proporá medidas com penas pecuniárias mais elevadas e também de criminalização para procedimentos impróprios na condução de veículos automotores.

Tudo para minorar a epidemia representada pelo trânsito, que ceifa sonhos e esperanças de nossas famílias.

Como observador e estudioso do tema, desde que assumi o Ministério dos Transportes, em 1997, levando em conta também a experiência adquirida na Comissão de Viação e transportes, integrando-a por vários mandatos, arco com a responsabilidade de afirmar que não carecemos de regras ou leis para melhorar o trânsito, ao contrário: temos um código moderno e avançado e temos o Contran e o Denatran, que disciplinam a aplicação de nosso código por inteiro. O que nos falta, e é decisivo para a catastrófica situação, é fiscalização e punição. Nossas regras podem ser modernas e suficientes, mas serão, como tem sido, pouco eficazes enquanto não houver quem fiscalize e puna com a severidade da lei.
 
Nosso aparato estatal tem se mostrado deficiente, incapaz para fiscalizar e penalizar os infratores de nossas regras de trânsito. A impunidade é o estimulo para a ocorrência de tantas infrações, acidentes e mortes. 

Além da fiscalizaçào e da punição, que se ocupam quando há infração já consumada, mais importante, porque cuidará da prevenção, é a implantação de um sistema obrigatório de educação para os trânsito, em todo o sistema de ensino nacional. Todos, quem é e quem não é proprietário de veículo automotor, são diretamente interessados, porque são participes ou usuários do sistema de trânsito. 

As estatísticas feita pelas autoridades comprovam que mais de 95% dos acidentes de trânsito são ocasionados por culpa - imperícia, imprudência ou negligencia - do condutor. Restando menos de 5% para as demais causas - defeitos nas pistas, deficiência na sinalização ou defeitos nos veículos. Portanto, o primordial, o mais importante, é a prevenção dos acidentes, a partir da educação da população para o trânsito, pois praticamente todos os acidentes ocorrem por falta de consciência, vale dizer: de educação e de cidadania. 

A vida em sociedade assenta-se na premissa de que os indivíduos são cidadãos - sujeitos de direitos e deveres coletivos. No caso da "guerra no trânsito brasileiro", estamos diante da comprovação de falta de cidadania por pane dos infratores. Na defesa da harmonia social da vida, inclusive daqueles que agem contra a lei, a cidadania tem o direito/dever de exigir de nossos governantes que façam cumprir a lei e que eduquem a todos quanto às responsabilidades no trânsito. 

Concluindo: reafirmo que ainda temos muito que fazer pois se quisermos a paz no trânsito, temos que ter coragem para iniciar e vencer uma verdadeira guerra contra impunidade, a ignorância às regras de trânsito e a falta de cidadania.

Deputado Federal Eliseu Padilha

Fonte: Zero Hora de 12 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2003

Item de segurança em veículo pode ser obrigatório


Comissão de Viação e Transportes - Eliseu Padilha
A Comissão de Viação e Transportes aprovou na última quarta-feira o Projeto de Lei 911/03, que atribui ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) a responsabilidade de estabelecer, periodicamente, cronograma e condições para que equipamentos e sistemas de segurança veicular ainda opcionais passem a constituir item obrigatório dos veículos. 

O autor do projeto, Carlos Eduardo Cadoca (PMDB-PE), afirma que existe disparidade entre os equipamentos constantes em veículos "de ponta", com equipamentos e sistema de segurança de última geração, e os veículos populares, que dispõem somente dos itens considerados obrigatórios pela legislação. Ele defende que o Contran seja obrigado a programar a obrigatoriedade de equipamentos de segurança. 


Necessidade comprovada

Em seu parecer favorável à matéria, o relator Eliseu Padilha (PMDB-RS) afirma que a indústria automobilística não acrescenta equipamento ou sistema de segurança aos veículos sem estudos que comprovem a sua necessidade. “Quando o consumidor tem acesso a novo item dessa natureza, pode estar certo de que não está a serviço de uma experiência, mas diante de um avanço tecnológico abalizado", diz. 

Padilha concorda que o Contran deve analisar as tecnologias de segurança incorporadas aos veículos e apresentar à sociedade metas e condições para que sejam tornadas obrigatórias. O projeto seguiu para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Redação.

Fonte: Agência Câmara de Notícias de 25/08/2003

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