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| Presidente Fernando Henrique Cardoso e Ministro Eliseu Padilha |
O presidente Fernando Henrique Cardoso apresenta nesta semana um plano de investimentos de R$ 61,9 bilhões e uma lista de projetos em tramitação no Congresso sobre os quais o governo pretende aprovar ainda neste ano.
Esses são os dois componentes do plano
de governo, que tem múltiplos objetivos: lembrar que há muito a fazer nos dois
últimos anos de mandato; aglutinar a base aliada em torno de uma proposta, num
momento de crise política provocada pelo episódio das fitas do senador Antonio
Carlos Magalhães, e aproveitar o último ano legislativo útil (em 2002 a
sucessão monopolizará os debates no Legislativo) para concluir as reformas
iniciadas em 95, calar as críticas sobre a falta de atenção do governo para a
área social e, no campo econômico, colocar em pauta uma agenda de
desenvolvimento como conseqüência do programa de ajuste fiscal.
O plano de
governo está sendo preparado para ser apresentado pelo presidente aos líderes
dos partidos aliados no Congresso na terça-feira. A intenção já anunciada pelo
presidente é definir as linhas da reforma ministerial a partir do compromisso
dos partidos com esse programa. "Errará quem apostar em mudanças, em
novidades. O programa vai focalizar o que temos de relevante a ser feito nos
próximos dois anos", adianta um assessor palaciano.
O presidente quer usar
o plano para orientar o Ministério, independentemente de seus ocupantes, que
serão em grande parte substituídos em janeiro, para lançamento de candidaturas
nas eleições de 2002. "O presidente vai dar o recado: independentemente do
personograma, a agenda do governo é esta", resumiu o assessor. Além do
programa de investimentos e da agenda legislativa, Fernando Henrique levará uma
importante questão para o debate com os líderes: o futuro da Contribuição
Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF).
O tributo deixará de ser
cobrado em 2002, e o governo quer discutir como repor sua arrecadação, que
chegou a R$ 15 bilhões em 2000. "Como não há possibilidade de redução dos
gastos, a CPMF é absolutamente estratégica", disse um ministro que
participou da elaboração do plano. Se depender da vontade do governo, a CPMF
deixará novamente de fazer jus ao nome e terá sua cobrança prorrogada.
Para
isso, é preciso que o Congresso aprove uma emenda constitucional neste ano. Uma
decisão tem de ser tomada antes do dia 31 de agosto, prazo final para o governo
enviar ao Congresso a proposta para o Orçamento Geral da União de 2002. Área
social receberá a maior parte Os assessores do presidente que trabalham na
elaboração do plano de governo admitem que não haverá nenhuma novidade
"bombástica" sobre o que já se conhece das prioridades do governo.
"O impacto será dado pelo dinheiro, pelo valor dos gastos que
anunciaremos", disse um desses assessores. Os R$ 61,9 bilhões serão gastos
em dois planos de ação integrada o Projeto Alvorada e o Plano Nacional de
Segurança Pública, e mais 50 projetos considerados estratégicos (sendo que
alguns desses projetos são parte dos planos de ação integrada). Esse montante
cobre dois anos. Do total, R$ 24,9 bilhões são verbas do orçamento federal e R$
37 bilhões são de outras fontes, desde o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT),
o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza e até empréstimos externos.
A maior
parte, 82%, ou R$ 50,7 bilhões será destinada a projetos na área social.
"Vamos turbinar alguns projetos", disse o ministro. Um exemplo: a
bolsa-escola terá suas verbas multiplicadas por dez, atingindo R$ 1,7 bilhão
neste ano, contra R$ 176 milhões em 2000. Em sua totalidade, o programa
"Toda Criança na Escola", onde a bolsa-escola está incluído, terá R$
4,2 bilhões neste ano.
O programa "Saúde de Família" receberá outros
R$ 2,8 bilhões. Os 50 programas prioritários do governo terão verbas garantidas
e sua execução será acompanhada mês a mês. Embora o social receba a maior parte
dos investimentos, a lista de prioridades também contempla projetos de
infra-estrutura, assistência social agricultura e reforma agrária. Cada um
deles terá uma meta a ser atingida até o final do governo Fernando Henrique. Da
lista, o principal projeto para o Estado de São Paulo é o Rodoanel, uma obra
que interligará as rodovias que passam pela capital paulista, reduzindo o
trânsito, principalmente de caminhões de carga, dentro da cidade.
Até dezembro
de 2002, o trecho Oeste do Rodoanel terá de estar pronto. Neste ano, o programa
Corredor Transmetropolitano, que inclui o Rodoanel, receberá cerca de R$ 220
milhões. O plano de governo também é formado por dois planos de ação integrada,
que combinam alguns dos 50 programas prioritários, porém com um foco de ação
mais dirigido. Um deles é o Projeto Alvorada, que em dois anos, consumirá
investimentos de R$ 15 bilhões. PFL manterá ministérios
O presidente Fernando
Henrique Cardoso deve nomear dois pefelistas para os ministérios de Minas e
Energia e da Previdência na próxima semana, depois de lançar o plano de ação
governamental, provavelmente na terça-feira. A cota dos partidos da base no
ministério será mantida sem alterações, mas compensações serão feitas na
substituição dos três líderes do governo no Congresso, integralmente ocupados
por tucanos, nos próximos dias. O PMDB, que venceu a disputa pela presidência
do Senado, com Jader Barbalho (PA), não reivindica nenhum outro cargo no
primeiro escalão, apesar de avaliar que o partido está sub-representado no
governo.
Os peemedebistas ocupam a pasta dos Transportes, com Eliseu Padilha, e
da Integração Nacional, com Fernando Bezerra, além da Secretaria de
Desenvolvimento Urbano, com Ovídio de Ângelis. O partido pretende, no entanto,
a liderança do governo na Câmara. O PFL, derrotado nas disputas pela
presidência da Câmara e do Senado, além de atravessar uma grave crise interna,
manterá quatro ministérios no governo Fernando Henrique. O presidente suspendeu
conversas a respeito de nomes, desde o carnaval, por causa do agravamento do
estado de saúde do governador licenciado de São Paulo, o tucano Mário Covas.
Fonte: transportes.gov

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